Doenças cardiovasculares causaram 3.532 mortes no estado nos primeiros cinco meses de 2025; especialista explica sinais de alerta e reforça que rapidez no atendimento pode reduzir riscos de complicações
As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte no Brasil e exigem atenção especialmente quando os sintomas surgem de forma súbita. Em Pernambuco, 3.532 pessoas morreram por doenças cardiovasculares apenas nos primeiros cinco meses de 2025, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde. No país, o Cardiômetro, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), estima cerca de 294 mil mortes por doenças do coração e da circulação em 2026.
Entre as principais doenças cardiovasculares estão o infarto, causado pela interrupção do fluxo de sangue para parte do coração; o acidente vascular cerebral (AVC), que ocorre quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou quando há um sangramento; a insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue de forma adequada para atender às necessidades do organismo; e as arritmias, alterações no ritmo dos batimentos cardíacos, que podem fazer o coração bater muito rápido, muito devagar ou de forma irregular.
Neste Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, o alerta é para a importância de reconhecer sinais que podem indicar uma emergência e procurar atendimento médico rapidamente.
Alguns sinais que exigem atenção são: Dor ou pressão no peito; Falta de ar; Palpitações; Suor frio; Náusea; Tontura e Mal-estar súbito.
Quando esses sinais aparecem de forma intensa, repentina ou diferente do habitual, a recomendação é buscar avaliação médica. “Na Cardiologia, a gente costuma dizer que ‘tempo é músculo’. Quanto mais tarde se chega ao diagnóstico e ao tratamento adequado de um paciente que está infartando, maior pode ser o dano ao coração e o risco de complicações”, explica o cardiologista Carlos Frederico, coordenador-geral da Cardiologia dos Hospitais Memorial Star e Memorial São José, da Rede D’Or.
Atendimento rápido
Foi o que fez o gerente comercial Raony Lins, de 37 anos. Após um treino de musculação seguido de corrida, ele sentiu dor no peito, aceleração dos batimentos e falta de ar e procurou o Hospital Memorial São José, no Centro do Recife.
“Cheguei com essa dor no peito, apertei o botão da recepção e, com menos de cinco minutos, eu já estava em cima de uma maca, sendo atendido pelo cardiologista e pela equipe de enfermagem”, conta.
Ao chegar ao hospital, Raony foi direcionado para o fluxo de avaliação de pacientes com dor torácica. Na Rede D’Or, as emergências utilizam protocolos estruturados de atendimento para priorizar os casos de maior gravidade. A metodologia Smart Track prevê atendimento imediato para casos graves, enquanto pacientes classificados como de baixa complexidade recebem o primeiro atendimento médico em até 20 minutos.
No caso de Raony, a suspeita inicial de infarto foi descartada após a realização dos exames, e ele recebeu o diagnóstico de disfunção microvascular, alteração que afeta a circulação das pequenas artérias do coração. Desde então, passou a fazer acompanhamento médico na unidade e ajustou hábitos da rotina, como alimentação, atividade física, sono e controle do estresse.
“Quando algo foge do normal, principalmente quando os sintomas são diferentes ou intensos, não vale a pena esperar para ver se vai passar. Procure atendimento médico”, aconselha Raony.
A importância da agilidade também aparece em um estudo do departamento de Cardiologia da Rede D’Or, apresentado no Congresso Internacional de Cardiologia Rede D’Or 2026. O levantamento analisou 4.921 pacientes com suspeita de infarto atendidos entre janeiro de 2025 e março de 2026, em 59 unidades da rede distribuídas por seis estados.
Nas unidades avaliadas, o intervalo médio entre a chegada do paciente com dor torácica e a realização do eletrocardiograma foi de cinco minutos, metade do limite de até 10 minutos estabelecido pelas diretrizes da American Heart Association (AHA).
O exame é uma das ferramentas utilizadas na avaliação inicial de pacientes com suspeita de evento coronariano agudo e ajuda a orientar a investigação e a definição do tratamento.
“Ter fluxos bem definidos e uma estrutura preparada permite que a equipe consiga agir de forma coordenada diante de situações que exigem rapidez. O objetivo é reduzir atrasos, priorizar os casos de maior gravidade e oferecer o cuidado adequado para cada situação”, explica Carlos Frederico.

